sábado, 14 de abril de 2012

Lyon decepciona mais uma vez e perde na final da Copa da Liga

Filipe Frossard Papini
@BrasiLyonnais / @FilipeDidi


Em jogo feio de se assistir, time de Rémi Garde caiu, na prorrogação, diante de um Marseille em péssima fase




O Lyon não levanta um caneco desde de 24 de maio de 2008. Hoje era pra ser a vez da redenção. Depois de passagens ruins de Alain Perrin e Claude Puel como treinadores, o novato Rémi Garde tinha a chance de dar este gosto aos torcedores dos Gones, que já viviam um jejum de 4 anos sem ver o seu time ser campeão de algo. No Stade de France, o Lyon, invicto há 7 jogos enfrenta o Marseille, que não vence há 12. Um duelo com um favorito já apontado antes da hora, apesar de ambos os times terem bons elencos.

O time de Garde não deixou o 4-4-2 de lado. A novidade era a presença de Briand no time titular e Grenier acabou indo para o banco. Com isso, Källström voltava a ser segundo volante e não mais um ala esquerda. Na frente, parece que Rémi Garde não tem mais dúvidas entre Gomis e Lacazette. O jogador mais experiente ganhou mesmo a vaga no grupo titular e faz dupla com Licha. Veja o time do OL:




Por outro lado, Deschamps não tinha o zagueiro Diawara para o jogo. A dupla de zaga era formada por N’Koulou e M’Bia. Jogando no 4-2-3-1, a frente marselhesa era a principal responsável pelo poder do OM. André Ayew, Mathieu Valbuna, Morgan Amalfitano e Loïc Rémy são quatro jogadores dotados de muita habilidade e potencial e são uma poderosa arma para Deschamps. No banco ainda tinha nomes como Jordan Ayew, Gignac e Brandão. Veja a formação do OM:




O primeiro lance de perigo foi logo aos 2’ de jogo. Réveillère sofreu falta na intermediária e Källström levantou bola na área. Lisandro estava lá para finalizar, a bola passou bem próximo a Mandada, pelo lado direito do goleiro do OM, mas já estava marcado o impedimento do argentino no lance.

Essa falta em cima de Réveillère foi só a primeira do jogo, que nos 10’ iniciais tinha muitas marcações faltosas e um jogo bastante paralisado por conta disso. Os dois times pareciam bem nervosos, muito em função da atmosfera que o estádio proporcionava. Um verdadeiro clima de final.

As poucas jogadas que fluíam, sem ser paradas com faltas, davam ao Marseille uma superioridade dentro de campo. Chegavam bem pelos dois lados do campo, mas não tinham poder para finalizar. Enquanto isso, o Lyon tentava encaixar contragolpes, mas não conseguia fazer isso com o mínimo de atenção. Era bastante bagunçado, o que impossibilitava o OL de chegar até o goleiro Mandada.

Após os 30’, o Lyon começou a querer gostar do jogo. Tocava e trabalhava a bola com mais tranquilidade e buscava passes mais curtos, ao invés de forçar a bola para os homens de frente. Isso fez com que o time de Rémi Garde fosse ligeiramente diminuindo o ímpeto que o Marseille apresentava.

Aos 39’, Lovren, ao tentar sair jogando com a bola, errou o passe e entregou nos pés de Loïc Rémy. O avante do Marseille avançou em velocidade, mas a defesa do Lyon se recuperou. Umtiti brecou a finalização do atacante do OM, e aliviou a tensão mandando para escanteio, que posteriormente não ocasionou em nada.

No início da segunda etapa, o Lyon voltou um pouco mais incisivo. Já pressionava o Marseille no seu campo de defesa. As faltas diminuíram, mas os cartões não. Antes dos 10’ dessa etapa final, M’Bia, pelo OM e Lovren, pelo OL, já haviam recebido cartão amarelo do árbitro Stéphane Lannoy.

A primeira chance de perigo no segundo tempo veio com levantamento de Fanni, procurando André Ayew. Réveillére cochilou na marcação ao tentar recuar para Lloris e quase entregou o lance. O goleiro da Seleção Francesa foi bem ao sair do gol, de maneira até dificultosa, e aliviar a situação de perigo. Em seguida, o OL tentou dar uma resposta em chuveirinho feito por Källström. Gomis, sozinho na área, cabeceou nas mãos de Mandada, mas já havia sido marcado lance de impedimento, mais uma vez, em jogada dos atacantes do Olympique Lyonnais.

A pressão inicial do Lyon já não havia mais. Na faixa dos 15’ aos 25’ da etapa final, o Marseille já pressionava de maneira voraz. A principal chance do jogo veio aos 19’, quando Valbuena achou Amalfitano na área, sem marcação. O meia cabeceou bem, mas Lloris foi melhor ainda para evitar o gol. Marseille perdia a principal chance do jogo até então. Defesaça do goleiro do OL.

Vendo o seu time sofrer com a pressão, Rémi Garde fez sua primeira troca, logo após o lance descrito acima. Clément Grenier entrou no lugar de Michel Bastos. Agora Källström teria liberdade para jogar na esquerda, sem precisar se preocupar muito com a marcação, enquanto Grenier entrava como segundo volante, posição que vem atuando com certa frequência nos últimos jogos.

Posteriormente, Deschamps mexeu sem alterações táticas. Tirou Alou Diarra e colocou Charles Kaboré. Um alteração “seis por meia dúzia”, mas Diarra correu demais durante a partida e provavelmente deixou o campo com um cansaço físico.

Chegando ao término do jogo, somando-se os dois tempos da partida, o site da LFP não computava sequer um chute ao gol, de ambos os times. O que vimos nos dois primeiros tempos foi um jogo truncado, pegado, com os dois times com medo de errar passes mais precisos e com um toque de bola baseado em passes longos, os populares “chutões”. A partida foi realmente feia de se assistir e sem um pingo de emoção nos primeiros noventa minutos. O panorama era um futebol cansativo de se assistir. No fim desses 90’, a torcida presente no Stade de France apresentou uma sonora vaia aos jogadores.

Nos primeiros minutos de bola rolando para a prorrogação, dois jogadores de cada lado receberam um cartão amarelo cada. Gomis, pelo Lyon e Loïc Rémy, pelo Marseille. Aumentando para seis o número de cartões distribuídos ao longo da final. Um número teoricamente pequeno pela grande quantidade de faltas que o jogo apresentou.

Com 7’, da prorrogação, Didier Deschamps fez a sua segunda alteração, a terceira da partida. Loïc Rémy deixou o campo – não fez uma boa partida – e deu lugar ao centroavante brasileiro Brandão. E o primeiro chute ao gol do clássico só veio a acontecer nos 98’ de bola rolando. Valbuena arriscou de fora da área e Lloris fez uma defesa tranquila.

Quando parecia que o jogo já se encaminharia para os pênaltis, o brilho do brasileiro Brandão se mostrou. Jogada de Valbuena pela esquerda. Ele achou o centroavante na área, que mesmo estando atrás de Umtiti, conseguiu girar em cima do inexperiente zagueiro do Lyon e finalizou entre as pernas de Lloris. Marseille na frente aos 14’ do primeiro tempo da prorrogação.

No segundo tempo da prorrogação, o Lyon já começou com uma alteração. Rémi Garde colocou Lacazette no lugar de Källström. Mas foi o Marseille quem apareceu novamente. Em jogada aérea, André Ayew quase marcou de cabeça. Se não fosse Lloris, novamente, o placar estaria com uma vantagem maior ainda para o OM.

Enquanto o Olympique de Marseille vencia, o Lyon não esboçava uma reação sequer. O time continuava tocando a bola sem pressa, com passes curtos e de lado. Não tinha espírito de grupo vencedor e assistia ao OM, em uma fase tenebrosa, jogar um futebol mais vistoso. No final de jogo, Rémi Garde ainda colocou Cissokho (?!?!) no lugar de Dabo. Estou até agora tentando entender essa troca. E no fim, Lovren se envolveu em uma confusão e acabou recebendo o segundo amarelo e foi expulso. Acabou!

É triste ver um treinador tão jovem como Rémi Garde se acovardar de maneira tão feia em uma competição tão importante como essa. Escalou mal, além de ter mexido errado e tarde. Não demonstra gana na beira do gramado e foi passível ao ver o seu time com a desvantagem no placar. Definitivamente o Lyon não mereceu levantar o caneco hoje... E nem o Marseille, mas eles, ao menos conseguiram chutar ao gol.




Próximo adversário: Toulouse. Quarta-feira, dia 14/04, às 13h30 de Brasília. 32ª rodada do Campeonato Francês. Vida que segue!

FOTOS: L'Equipe / olweb.fr


GOL DA PARTIDA:




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