sábado, 5 de dezembro de 2015

Gerland chora na sua despedida da Ligue1

Filipe Frossard Papini
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Angers dá um nó tático no Lyon, que não conseguiu chegar ao gol e ainda sofreu nas jogadas aéreas do grandalhão N'Doye




Sem dúvidas, a grande atração desta 17ª rodada era a partida entre Lyon e Angers. E não era pelo que iria acontecer dentro de campo e, sim, sobre o campo. O histórico Stade Gerland se despedia da Ligue1 após 65 anos e, hoje, a festa era ele. Dezenas de ex-jogadores estavam presentes na cerimônia e era a oportunidade de fazer uma festa digna. E, esta sim, dentro de campo e com a bola rolando. O time tinha a faca e queijo na mão para voltar a jogar o futebol vistoso da temporada passada e esquecer os maus resultados recentes.


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Armado no 4-3-1-2, mas com várias mudanças, o Lyon entrava em campo com sérios desfalques: Rafael, Jallet, Yanga-M’Biwa, Umtiti, Gonalons (teve problemas gastrointestinais horas antes do jogo) Fofana, Fekir e Kalulu. Ainda tinha Beauvue, que depois da última partida – em que foi substituído após péssima exibição e nem cumprimentou o treinador – acabou ficando de fora da relação. As novidades ficavam por conta de Tolisso na lateral direita, Toussart começando entre os titulares, e Valbuena no ataque com Lacazette. Um conjunto que não havia sido testado antes. Confira como ficou:




O azarão da Ligue1, recém promovido da segunda divisão, entrava em campo sem maiores problemas. O time comandado pelo bom Stéphane Moulin se destaca por ter uma defesa quase intransponível. São somente nove gols sofridos até a entrada em campo hoje. Para se ter um efeito comparativo, o imbatível PSG sofreu somente um a menos: oito. E essa era a maior força do clube visitante, sua força de conjunto e sua enorme qualidade defensiva, que, inclusive, segurou o próprio Paris Saint-Germain na última rodada, em jogo que ficou 0 a 0, pela 16ª rodada. Abaixo, veja a formação:




Estádio em festa, torcida empolgada, ex-jogadores ídolos presentes. Tudo preparando para o espetáculo que poderia ser protagonizado pelo Lyon na despedida do lendário Stade Gerland, com 65 anos de história. A missão era bater a segunda melhor defesa do campeonato, montada pelos recém promovidos da Ligue2. Perfurar essa barreira, não era uma das missões mais fáceis. Mas, mesmo assim, o OL começava pressionando no início.

Logo aos 5’ de partida, o placar já poderia ter sido aberto em jogada construída por Valbuena, no lado direito do ataque dos Gones. Ele fez tudo certo e conseguiu descolar um cruzamento no segundo pau. Ali estava Lacazette, que finalizou muito bem e foi interpelado pelo goleiro Butelle. No rebote, Mvuemba até tentou uma outra finalização, mas foi interpelado pela defesa visitante.

Apesar do OL persistir na pressão e fazer por onde em busca do primeiro gol, a postura tática do Angers era impecável para um time tecnicamente inferior e jogando fora de casa. Eles esperavam a falha na troca de passes do Lyon para buscar algum lance surpresa, puxando um contra-golpe. Nos primeiros momentos, os contra-ataques não estavam funcionando, mas foi o próprio Angers quem abriu o placar.

Aos 17’, Cheikh N’Doye recebeu cruzamento de bola parada na área. Ele conseguiu subir muito alto e aparecer primeiro que os defensores do OL para colocar de cabeça no canto esquerdo de Anthony Lopes, que até tentou chegar, mas não conseguiu alcançar a potente finalização de cabeça. No lance, a marcação era feita por Bakary Koné, que meio sem tempo de bola, não conseguiu subir na mesma altura.

Faltando um pouco mais de 10’ para o fim do primeiro tempo, o Angers perdeu uma de suas peças e se viu na obrigação de fazer sua primeira troca. Mangani deixou o campo sentindo dores e deu lugar a Auriac. Isso não mudou muito o cenário do jogo. O Angers, apesar de ter somente 38% de posse de bola, controlava o jogo defensivamente e assustava muito mais do que o próprio OL, que não passava da intermediária.

Já perto do fim da primeira parte, o Angers poderia ter marcado por mais duas vezes. Primeiramente com N’Doye, autor do primeiro gol. Em jogada similar a este primeiro lance, ele subiu junto com Koné e antecipou de novo o defensor do OL. Desta vez, a bola foi pra fora.  Na jogada seguinte, foi a vez de Sunu aproveitar mais uma falha de Koné e tentar jogada individual pra cima de Morel. O defensor apertou, segurou e, ainda assim, Sunu chutou e forçou boa defesa de Anthony Lopes.

Na volta para o segundo tempo, o Lyon apresentou uma medida mais firme. Maxwell Cornet entrou no lugar de Arnold Mvuemba. A mudança apresentava muito mais que uma simples troca. O OL também alterava sua formação tática. Agora, iria para o 4-3-3, com Cornet, Lacazette e Valbuena na frente e Malbranque mais recuado. O Angers também mexia, e de novo por obrigação. Camara deixava o campo e entrava o mítico laociano, Billy Ketkeophomphone.

Definitivamente, o Lyon voltava melhor para a etapa final. A postura mudou completamente e as chances tornavam-se mais claras. Aos 9’, Valbuena se deslocou bem, já na grande área, e conseguiu ótimo clarão para finalizar. Batendo de primeira, ele tentou tirar do goleiro e acabou mandando no travessão. Tentou um rebote na sequência, mas foi prensado pela defesa. O OL, em pouco tempo, fazia mais duas trocas: Grenier e Darder entravam nos lugares de Tousart e Malbranque, respectivamente.

E força do OL continuava presente. Era mais incisivo e chegava com muito mais perigo. Não era nem sombra daquele time do primeiro tempo em que quase não fez o goleiro adversário suar. De todo modo, ainda faltava um pouco mais. O Angers estava na frente do placar e o OL precisava de, ao menos, dois gols para inverter o marcador. Lacazette teria conseguido aos 24’ do segundo tempo, em bela assistência de Grenier. Mas arbitragem anulou de forma certeira aquele que seria o tento de empate.

Já faltando 15’ para o fim do jogo, o Angers fez sua última troca. E, desta vez, foi por opção do técnico Stéphane Moulin. Ele tirou o seu centroavante Gilles Sunu e colocou Pierrick Capelle. Certamente, tentava ajeitar mais o seu meio de campo e buscava um pouco mais de recuo em função da crescente que o OL vinha desenvolvendo naquela etapa do jogo. Uma tentativa de acerto, com o placar na mão, praticamente.

No momento em que o Lyon conseguia se encontrar no jogo e buscava o seu gol de empate, o Angers surpreendia novamente. Na verdade, uma surpresa já conhecida: N’Doye. O grandalhão, mais uma vez, conseguiu subir mais alto que todo mundo – e também mais alto que Koné, sua marcação – e acabou colocando, mais uma vez, no canto de Lopes. Sem chances para o goleiro português. Era o Angers fazendo o segundo na partida e usando da mesma jogada. 2 a 0!

No final das contas, no apagar das luzes, o OL já não tinha nem mais vontade de reverter o resultado. E quem se aproveitou disso foi o Angers que, em duas oportunidades, quase ampliou o marcador e não emplacou uma goleada na despedida melancólica do Stade Gerland. Espera-se que no dia 16, pela Copa da Liga, o estádio receba uma despedida menos triste do que essa.

Lyon volta a campo no próximo dia 09/12. Agora pela Liga dos Campeões. Em jogo que não vale nada para o OL, já eliminado, pode decidir o futuro do Valência, time do novo treinador Gary Neville. A partida será na Espanha, às 18h do horário de Verão de Brasília. Até lá!

FOTOS: L'Equipe / olweb.fr


OS GOLS DA PARTIDA:
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